terça-feira, 14 de setembro de 2010

Trauma de infância

Eu era criança, tinha uns 8 ou 9 anos. Era época de festa junina. Eu sempre curti uma dancinha e tals, e mesmo tendo sempre que dançar com outra menina (eu era muito alta, os meninos baixinhos e a distribuição meninos/meninas naquela escola era completamente desigual) pra mim não importava, fechava os olhos fazia biquinho e ia na quadrilha felizona.
Daí que a coreografia incluia um baldinho cheio de papel picado, que no final da dança era jogado pra cima e fazia aquela chuva linda. Eu passei HORAS (que na verdade não deve ter sido horas, sabe como é criança, se pá uns 40 minutos) picando papel laminado vermelho e prateado pra encher o baldinho até a boca, que lindo.
Eis que havia um momento na coreografia que o balde era colocado no chão e cada uma dava a volta ao redor dele. Já viu né? A desgramenta sem coração da menina do meu lado chutou meu balde e ele virou todo todo o papel finamente picado no chão.
Daí me lembro da cena em flashes: eu ajoelhada chorando catando papel do chão (enquanto todas as outras crianças inclusive a desgramenta sem coração continuavam dançando); minha mãe na platéia olhando desesperada (ou rindo? hm agora não tenho certeza...) fazendo gestos loucos pra eu continuar dançando; a professora gritando pra eu continuar. Enfim, continuei a coreografia e terminei a dança jogando todos os 6 malditos pedaços de papel laminado pra cima.

Você ri, né? Mas veja se a vida não é assim...a gente vai enchendo o balde de coisas boas até a boca e na hora H vem um desgramento sem coração, chuta e derruba tudo no chão.

é.

5 comentários:

Cris Parga disse...

Cara.. Filosofina pura e concentrada! É a mais pura verdade! Aconselho vc a repetir esse ritual de picar um balde cheio de papel, de preferência SOZINHA em casa e jogar pra cima, pra se livrar de vez desse trauma... rs

Lijoka disse...
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Lijoka disse...

Adorei a dica... vou começar a encher o meu balde de coisas boas ao invés de me preocupar tanto em encher o meu porquinho pra vencer a pão-durice, kkkkkk

Misael Amaral disse...

Sou publicitário. Criativo e redator. Mas relaxe, não sou egoísta. Só estou falando isso porque quero dizer que escrever é mais que profissão. É mais que hobby. Escrever é dom. E dom você tem de sobra!

Fiquei encantado com seus textos. À vontade e sem frescuras como todo bom texto tem que ser.

Seu blog já faz parte da seleta lista dos meus FAVORITOS.

Beijo e até logo.

ricardo hida disse...

hauhuhahuahah!
vamos combinar que rir de criança é horrível, mas a cena foi hilária!!! tô chorando de rir!!!!